Tom Zé – Tom Zé (1968)
Artista: Tom Zé
Disco: Tom Zé (também conhecido como ‘Grande Liquidação’)
Ano: 1968
Esta edição: 2000 (Re-edição em CD)
Gravadora: Rozenblit (Edição original) / Columbia (Esta
Re-edição)
Estilo: MPB
Tempo total: 37:16
Formato: MP3 320k (+ capas)
Faixas:
01. São São Paulo – 3:41
02. Curso Intensivo De Boas Maneiras – 3:00
03. Glória – 3:20
04. Namorinho De Portão – 2:38
05. Catecismo, Creme Dental E Eu – 2:48
06. Camelô – 2:16
07. Não Buzine Que Eu Estou Paquerando – 2:48
08. Profissão De Ladrão – 2:35
09. Sem Entrada E Mais Nada – 2:42
10. Parque Industrial – 3:17
11. Quero Sambar Meu Bem – 3:54
12. Sabor De Burrice – 4:16
Um pouco da história:
Antônio José Santana Martins, conhecido como Tom Zé (Irará, 11 de outubro de
1936), é um compositor, cantor, arranjador e jardineiro brasileiro.
É considerado uma das figuras mais originais da música popular brasileira, tendo
participado ativamente do movimento musical conhecido como Tropicália nos anos
1960 e se tornado uma voz alternativa influente no cenário musical do Brasil.
Nascido 11 de outubro de 1936,em uma família abastada por conta de um bilhete
premiado de loteria, Tom Zé passa a infância no sertão baiano na sua cidade
natal Irará. Seguiu estudos ginasiais, pois sua música transmitida por
comunicação oral.
Adolescente, passa a se interessar por música e estuda violão. Tem alguma
experiência tocando em programas de calouros de televisão nos anos 1960, e acaba
entrando para a Escola de Música da Universidade Federal da Bahia.
Inspirou sua atuação como artista na figura do “homem da mala”. O homem da mala
era um personagem muito recorrente no interior do Brasil, tratava-se de
mercadores que viajavam pelas cidades vendendo produtos variados. Como
estratégia para melhorar as vendas, esses homens promoviam verdadeiros shows em
praça pública, onde demonstravam a utilidade de seus produtos. Tom Zé conta que
ficava maravilhado ao ver como o “homem da mala” era capaz de transformar um
local comum em um palco improvisado e colocava-se como artista diante de uma
plateia popular amparado apenas por sua capacidade de improviso e de entreter os
outros através de narrativas.
Na mesma época, se alia a Caetano Veloso, Gilberto Gil, Gal Costa, Maria
Bethânia e Djalma Corrêa no espetáculo Nós, Por Exemplo nº 2, no Teatro Castro
Alves, em Salvador. Com o mesmo grupo, vai a São Paulo encenar Arena Canta
Bahia, sob a direção de Augusto Boal, e grava o álbum definidor do movimento
Tropicalista, Tropicália ou Panis et Circensis, em 1968.
Em 1968, leva o primeiro lugar no IV Festival de Música Popular Brasileira, da
TV Record, com a canção “São Paulo, Meu Amor”.
Tom Zé foi de grande importância para a construção do movimento. Inclusive,
chegou a dar aulas de música para Moraes Moreira, que viria a formar a banda
Novos Baianos.
Como é notável no seu disco de 1968, Tom Zé carregava fortes traços
tropicalistas em suas canções e era também um dos expoentes do movimento, tendo
inclusive participado do disco “Tropicália ou Panis et Circensis”. Porém, por
desencontros e desentendimentos, acabou se afastando do tropicalismo, de onde
sua imagem foi sendo aos poucos apagada. Tom Zé chegou a ser chamado de “Trótski
do tropicalismo”, em referência ao marxista cuja participação na Revolução Russa
foi apagada durante o governo stalinista.
O disco contém o seguinte texto na contracapa (ortografia atualizada):
Somos um povo infeliz, bombardeado pela felicidade. O sorriso deve ser muito
velho, apenas ganhou novas atribuições. Hoje, industrializado, procurado,
fotografado, caro (às vezes), o sorriso vende. Vende creme dental, passagens,
analgésicos, fraldas, etc. E como a realidade sempre se confundiu com os
gestos, a televisão prova diariamente, que ninguém mais pode ser infeliz.
Entretanto, quando os sorrisos descuidam, os noticiários mostram muita
miséria. Enfim, somos um povo infeliz, bombardeado pela felicidade.(Às vezes
por outras coisas também). É que o cordeiro, de Deus convive com os pecados do
mundo. E até já ganhou uma condecoração. Resta o catecismo, e nós todos
perdidos. Os inocentes ainda não descobriram que se conseguiu apaziguar Cristo
com os privilégios. (Naturalmente Cristo não foi consultado). Adormecemos em
berço esplêndido e acordamos cremedentalizados, tergalizados, yêyêlizados,
sambatizados e missificados pela nossa própria máquina deteriorada de pensar.
“-Você é compositor de música “jovem” ou de música “Brasileira”?” A
alternativa é falsa para quem não aceita a juventude contraposta à
brasilidade.. (Não interessa a conotação que emprestam à primeira palavra). Eu
sou a fúria quatrocentona de uma decadência perfumada com boas maneiras e não
quero amarrar minha obra num passado de laço de fita com boemias seresteiras.
Pois é que quando eu abri os olhos e vi, tive muito medo: pensei que todos
iriam corar de vergonha, numa danação dilacerante. Qual nada. A hipocrisia (é
com z?) já havia atingido a indiferença divina da anestesia… E assistindo a
tudo da sacada dos palacetes, o espelho mentiroso de mil olhos de múmias
embalsamadas, que procurava retratar-me como um delinquente. Aqui, nesta
sobremesa de preto pastel recheado com versos musicados e venenosos, eu lhes
devolvo a imagem. Providenciem escudos, bandeiras, tranquilizantes,
antiácidos, antifiséticos e reguladores intestinais. Amém.
TOM ZÉ
Fonte: Wikipedia
Site oficial: www.tomze.com.br
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