{"id":3071,"date":"2019-05-06T09:30:00","date_gmt":"2019-05-06T07:30:00","guid":{"rendered":"http:\/\/br320.net\/index.php\/2019\/05\/06\/ze-ramalho-antologia-acustica-1997\/"},"modified":"2026-08-22T16:45:24","modified_gmt":"2026-08-22T14:45:24","slug":"ze-ramalho-antologia-acustica-1997","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/br320.net\/index.php\/2019\/05\/06\/ze-ramalho-antologia-acustica-1997\/","title":{"rendered":"Z\u00e9 Ramalho &#8211; Antologia Ac\u00fastica (1997)"},"content":{"rendered":"<div class=\"separator\" style=\"clear: both;text-align: center\">\n<a href=\"http:\/\/br320.net\/wp-content\/uploads\/2019\/05\/folder.jpg\" style=\"margin-left: 1em;margin-right: 1em\"><img decoding=\"async\" border=\"0\" data-original-height=\"1200\" data-original-width=\"1200\" src=\"http:\/\/br320.net\/wp-content\/uploads\/2019\/05\/folder.jpg\" \/><\/a><\/div>\n<p>\n<b>Artista:<\/b>&nbsp;Z\u00e9 Ramalho<br \/>\n<b>Disco:<\/b>&nbsp;Antologia Ac\u00fastica<br \/>\n<b>Ano:<\/b>&nbsp;1997<br \/>\n<b>Esta edi\u00e7\u00e3o:<\/b>&nbsp;1997 (Edi\u00e7\u00e3o original)<br \/>\n<b>Gravadora:<\/b>&nbsp;BMG<br \/>\n<b>Estilo:<\/b>&nbsp;Folk, MPB<br \/>\n<b>Tempo total:<\/b>&nbsp;43:47 + 41:00<br \/>\n<b>Formato:<\/b>&nbsp;MP3 320k (+ scans)<br \/>\n<!--more--><br \/>\n<b>Faixas:<\/b><br \/>\n<b>CD 1<\/b><br \/>\n01. Av\u00f4hai &#8211; 5:14<br \/>\n02. Ch\u00e3o De Giz &#8211; 4:31<br \/>\n03. Beira-Mar &#8211; 4:19<br \/>\n04. Vila Do Sossego &#8211; 3:30<br \/>\n05. Can\u00e7\u00e3o Agalopada &#8211; 4:15<br \/>\n06. A Terceira L\u00e2mina &#8211; 3:51<br \/>\n07. Eternas Ondas &#8211; 3:58<br \/>\n08. Garoto De Aluguel &#8211; 5:12<br \/>\n09. T\u00e1xi Lunar &#8211; 3:56<br \/>\n10. Kript\u00f4nia &#8211; 4:55<br \/>\n<b>CD 2<\/b><br \/>\n01. Frevo Mulher &#8211; 4:39<br \/>\n02. Banquete De Signos &#8211; 3:43<br \/>\n03. For\u00e7a Verde &#8211; 3:26<br \/>\n04. Admir\u00e1vel Gado Novo &#8211; 5:05<br \/>\n05. Galope Rasante &#8211; 3:56<br \/>\n06. Bicho De 7 Cabe\u00e7as (Instrumental) &#8211; 4:21<br \/>\n07. Mulher Nova, Bonita E Carinhosa, Faz O Homem Gemer Sem Sentir Dor &#8211; 3:53<br \/>\n08. Pepitas De Fogo &#8211; 3:10<br \/>\n09. Jardim Das Ac\u00e1cias II &#8211; 4:57<br \/>\n10. Batendo Na Porta Do C\u00e9u (Knockin&#8217; On Heaven&#8217;s Door) &#8211; 3:46<\/p>\n<p><b>Um pouco da hist\u00f3ria:<\/b><\/p>\n<p><b>Apresenta\u00e7\u00e3o do disco por Z\u00e9 Ramalho<\/b><\/p>\n<p>Este disco \u00e9 a minha reden\u00e7\u00e3o. Um Phoenix que renasce das pr\u00f3prias cinzas. As m\u00fasicas se consagraram novamente, depois dessa revis\u00e3o. Elas ganharam nova dimens\u00e3o com esta est\u00e9tica e formato. Foram redescobertas por uma gera\u00e7\u00e3o jovem, que se identificou com esta mistura de nordeste, MPB e POP. Foi uma forma de comemorar meus 20 anos de carreira, atrav\u00e9s de uma vis\u00e3o simples do que eu j\u00e1 havia feito de expressivo. Foi muito mais al\u00e9m! Tornei \u2013 me um super vendedor de discos ao atingir a marca de 700.000 c\u00f3pias vendidas. \u00c9 um sucesso, que j\u00e1 tinha sido e tornou \u2013 se novamente.<\/p>\n<div class=\"separator\" style=\"clear: both;text-align: center\">\n<a href=\"https:\/\/blogger.googleusercontent.com\/img\/b\/R29vZ2xl\/AVvXsEh_xQU2YuvY8NZFNboc3z00gup3C0spJClGpQFry8oUzCa1Tlhc3SI17p7_pVVH07KTp2LjKcM2drBv6PkQwdSpeVjV0AdLWQ8KYcqw5odi_5fuvWmd6hm7tGO8ekMseLxOEPPRIBrqvlM\/s640\/Ze+Ramalho+1997.jpg\" style=\"margin-left: 1em;margin-right: 1em\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" border=\"0\" data-original-height=\"1411\" data-original-width=\"1600\" height=\"564\" src=\"https:\/\/blogger.googleusercontent.com\/img\/b\/R29vZ2xl\/AVvXsEh_xQU2YuvY8NZFNboc3z00gup3C0spJClGpQFry8oUzCa1Tlhc3SI17p7_pVVH07KTp2LjKcM2drBv6PkQwdSpeVjV0AdLWQ8KYcqw5odi_5fuvWmd6hm7tGO8ekMseLxOEPPRIBrqvlM\/s640\/Ze+Ramalho+1997.jpg\" width=\"640\" \/><\/a><\/div>\n<p>\n<b>Texto de&nbsp;Zuza Homem de Mello<br \/>Abril 1997<\/b><\/p>\n<p>Certamente o mais original personagem da gera\u00e7\u00e3o dos m\u00fasicos nordestinos que despontaram nacionalmente na d\u00e9cada de 70, Z\u00e9 Ramalho \u00e9 tamb\u00e9m um dos artistas mais identificados com a juventude brasileira dos anos 90. Autor de uma obra essencialmente surrealista que funde o rock com o repente, Z\u00e9 Ramalho tem um imenso poder de transmiss\u00e3o com sua inconfund\u00edvel voz cavernosa de fascinante declamador, complementada ao vivo por sua messi\u00e2nica figura esguia e macilenta.<\/p>\n<p>Desconsiderando as grava\u00e7\u00f5es regionais na extinta Rozenblit de Recife, Z\u00ea Ramalho comemora 20 anos de carreira, pois seu primeiro disco de car\u00e1ter nacional \u00e9 de 1977. Este valioso \u00e1lbum duplo cont\u00e9m reinterpreta\u00e7\u00f5es mais amadurecidas das m\u00fasicas que representam a nata do que j\u00e1 comp\u00f4s at\u00e9 agora. O estilo de Z\u00e9 Ramalho enfoca o universo do absurdo, do apocalipse e da contradi\u00e7\u00e3o, abrangendo ainda a emergente tend\u00eancia liter\u00e1ria de nossos tempos, o esoterismo. Suas melodias, com alguns interl\u00fadios e refr\u00f5es sedutores, s\u00e3o criadas sobre os mais aut\u00eanticos ritmos nordestinos, frevo, forr\u00f3 e a mistura de ambos, que gerou sua cria\u00e7\u00e3o mais dan\u00e7ante, o irresist\u00edvel agalopado. Paralelamente, a obra de Z\u00e9 Ramalho deriva, ora para modalidades dos cantadores e repentistas, ora para o rock, onde as figuras de Renato e Seus Blue Caps (no Brasil) e Bob Dylan exercem, cada um a seu modo, uma influ\u00eancia pr\u00f3pria.<\/p>\n<p>Um nordestino desnorteador, Z\u00e9 Ramalho provoca invariavelmente um acontecimento com suas apari\u00e7\u00f5es no cen\u00e1rio musical brasileiro. Simboliza um vision\u00e1rio solene e m\u00e1gico, causador de fecunda sensa\u00e7\u00e3o em duas diferentes gera\u00e7\u00f5es da juventude brasileira. \u00c9 o verdadeiro Cavaleiro da arte nordestina. Uma antologia da obra de Z\u00e9 Ramalho merece tamb\u00e9m uma an\u00e1lise mais detida sobre cada uma das 20 can\u00e7\u00f5es e sua trajet\u00f3ria.<\/p>\n<p><b>Av\u00f4hai!<\/b><br \/>\nO come\u00e7o de tudo foi esta can\u00e7\u00e3o, que abriu as portas do sucesso nacional para Z\u00e9 Ramalho. Nesta vers\u00e3o ac\u00fastica, ela teve a harmonia alterada e foi transformada num bai\u00e3o hindu, destacando as c\u00edtaras indianas, que t\u00eam uma intrigante rela\u00e7\u00e3o de afina\u00e7\u00e3o com a viola, dos repentistas, insistindo na mesma nota. Foi no \u00e1lbum Paebir\u00fa (gravadora Mocambo, 1974), ainda em Pernambuco, que Z\u00e9, Geraldo Azevedo, Robertinho de Recife e Alceu detectaram essa ponte entre o interior do Nordeste e o Oriente. Por outro lado, existe uma sauda\u00e7\u00e3o de origem fen\u00edcia, ADONAI, muito utilizada como mantra, donde a l\u00f3gica desse suporte r\u00edtmico hindu, que inclui ex\u00f3ticos tambores marroquinos e jarros. Z\u00e9 afirma que essa foi a \u00fanica m\u00fasica efetivamente psicografada em seus 20 anos de carreira. Sua letra longa e sem repeti\u00e7\u00f5es surgiu de uma s\u00f3 vez, mal tendo o autor tempo de escrever o que lhe vinha \u00e0 mente, ao mesmo tempo em que uma voz lhe soprava ao ouvido AV\u00d4HAI! AV\u00d4HAI! (AV\u00d4 e PAI). H\u00e1 cita\u00e7\u00f5es de martelos agalopados, de cocos, emboladas, ensinadas pelo av\u00f4 que o criou, desde que ficou \u00f3rf\u00e3o aos 9 anos. A forma de declama\u00e7\u00e3o de Z\u00e9 Ramalho permanece como uma marca de sua personalidade art\u00edstica, um dos trunfos em que ele \u00e9 imbat\u00edvel.<\/p>\n<p><b>Ch\u00e3o de Giz<\/b><br \/>\nNa grava\u00e7\u00e3o original desta can\u00e7\u00e3o, em 1977, o coro inclu\u00eda Elba Ramalho, que a consagrou em definitivo com sua emocionada vers\u00e3o no disco Le\u00e3o do Norte do ano passado. Z\u00e9 optou por uma forma bem intimista com a valiosa interpreta\u00e7\u00e3o ao viol\u00e3o-solo de Roberto Frejat. Essa m\u00fasica foi provocada por uma dessas paix\u00f5es avassaladoras, plat\u00f4nicas e imposs\u00edveis, pois a musa inspiradora era uma mulher casada com um industrial, ainda em Jo\u00e3o Pessoa. Segundo o escritor e jornalista Jos\u00e9 N\u00eaumane Pinto, paraibano e profundo conhecedor da obra de Z\u00e9 Ramalho, ela poderia ter sido perfeitamente escrita por Bob Dylan, como 2 primos que praticam a mesma linha musical.<\/p>\n<p>Pessoalmente, vejo essa can\u00e7\u00e3o com um toque de blues, tal o grau de tens\u00e3o criado pela constante busca da t\u00f4nica. O \u00e1pice dessa tens\u00e3o se d\u00e1 na melodia da palavra ami\u00fade e mais adiante, Freud explica. Uma obra-prima.<\/p>\n<p><b>Beira-Mar<\/b><br \/>\nUm dos mais extensos versos das v\u00e1rias modalidades de cantoria de viola \u00e9 o alexandrino dos galopes \u00e0 beira mar: deve ter 12 s\u00edlabas t\u00f4nicas em cada uma das 10 linhas que comp\u00f5em uma estrofe. H\u00e1 ainda duas obrigatoriedades, a das rimas e a tem\u00e1tica, de se abordar mist\u00e9rios e belezas do mar, al\u00e9m de terminar cada estrofe com a express\u00e3o beira do mar. Tudo acaba na beira do mar, onde as for\u00e7as da natureza se encontram: a \u00e1gua, a terra, o vento e o calor do sol. S\u00e3o 4 elementos que aproximam muito a obra de ra\u00edzes nordestinas de Z\u00e9 Ramalho \u00e0 natureza e ao misticismo. O suporte de bal\u00e3o \u00e0 orquestra de cordas, nesta faixa que mostra a intimidade do autor, com o rigor das rimas e modalidades dos versos de repentistas e violeiros, emprestam um car\u00e1ter sinf\u00f4nico \u00e0 cultura nordestina. Ao final, o maracatu \u00e9 uma referencia ao ritmo pernambucano.<\/p>\n<p><b>Vila do Sossego<\/b><br \/>\nTamb\u00e9m fazia parte do seu primeiro disco e nasceu de um dos v\u00e1rios retornos a Jo\u00e3o Pessoa nos anos 70, quando tentava sua carreira no Rio, com idas e vindas entre Sul e Nordeste. Alugou uma casa na praia de Mara\u00edra, onde afixou uma placa: VILA DO SOSSEGO. A cultura hippie pairava no ar e a casa passou a ser frequentada por artistas, violeiros e cantadores, cujas noitadas e farras inspiraram uma grande produtividade de Z\u00e9 Ramalho. Foi tamb\u00e9m um per\u00edodo de muita leitura de autores como Saint-Exup\u00e9ry, que no livro Piloto de Guerra, inspirou o verso &#8220;nos avi\u00f5es que vomitavam p\u00e1ra-quedas&#8221;. As palavras com final id\u00eantico rimado s\u00e3o t\u00edpicas nos repentes e remetem a outras duas leituras fundamentais dessa \u00e9poca em sua vida: as antologias po\u00e9ticas de Vin\u00edcius de Moraes e Drummond. Este, como se sabe, adorava violeiros e repentistas.<\/p>\n<p><b>Can\u00e7\u00e3o Agalopada<\/b><br \/>\nFoi feita em outra modalidade dos repentistas, o martelo-agalopado de 10 s\u00edlabas em 10 linhas. Era a faixa de abertura do disco Terceira L\u00e2mina, e foi baseada em versos do libreto de cordel, Apocalypse, de Z\u00e9 Ramalho, editado em 1977. A tem\u00e1tica, de sua grande intimidade em vista das leituras da B\u00edblia, focaliza, mais do que os conceitos, a riqueza das imagens. Nesta antologia, ela \u00e9 ainda mais ressaltada com o clima de filme western, obtido com as atraentes interven\u00e7\u00f5es do gaitista Milton Guedes. Essa mesma m\u00fasica tem sido tamb\u00e9m gravada em vers\u00e3o bem mais pesada por grupos pop, certamente atra\u00eddos pela sua letra prof\u00e9tica.<\/p>\n<p><b>A Terceira Lamina<\/b><br \/>\n\u00c9 o t\u00edtulo de seu disco lan\u00e7ado em 1981, que mereceu de Artur Xex\u00e9o na revista Veja a seguinte observa\u00e7\u00e3o: &#8220;Suas imagens s\u00e3o confusas, fragmentadas, mas ele as transmite com tanta determina\u00e7\u00e3o que acaba convencendo o ouvinte de seu sentido po\u00e9tico&#8221;. Z\u00e9 procurava uma m\u00fasica que caracterizasse esse terceiro trabalho, encontrando-a na pr\u00f3pria forma de um LP de vinil, uma l\u00e2mina. A letra penetra na solid\u00e3o e na tristeza &#8220;dos que vivem calados, pendurados no tempo&#8221;, os miser\u00e1veis que vivem debaixo de pontes, em guetos, dormem sob jornais ou em caixas de papel\u00e3o. O original era uma balada lenta, e agora ressurge como um bal\u00e3o, destacando a sanfona de Dominguinhos com um interl\u00fadio que n\u00e3o existia. Numa das noites em que foi assistir ao saudoso Jo\u00e3o do Vale em seu Forr\u00f3 Forrado, no Rio, Z\u00e9 se surpreendeu com a vers\u00e3o de sanfona, zabumba e tri\u00e2ngulo para sua balada. Agora teve a oportunidade de dar \u00e0 Terceira L\u00e2mina a mesma \u00f3tica r\u00edtmica do trio nordestino daquela noite.<\/p>\n<p><b>Eternas Ondas<\/b><br \/>\nComo muitos compositores brasileiros, Z\u00e9 Ramalho tamb\u00e9m fez uma m\u00fasica para ser gravada por Roberto Carlos. Apresentou-lhe pessoalmente Eternas Ondas num passeio pelo iate Lady Laura por volta de 1980; ela, por\u00e9m, n\u00e3o foi inclu\u00edda no disco. Sem se desapontar inteiramente, Z\u00e9 mostrou a can\u00e7\u00e3o para Fagner que a gravou na vers\u00e3o considerada definitiva, detonando um sucesso em seu disco Vento Forte. Foi tamb\u00e9m gravada por Ray Coniff. O tema, de cunho b\u00edblico, cita o grande dil\u00favio e a inexor\u00e1vel for\u00e7a da natureza diante da fr\u00e1gil vida humana.<\/p>\n<p>\n<b>Garoto de Aluguel<\/b><br \/>\nFaz parte de seu segundo disco, A Peleja do Diabo com o Dono do C\u00e9u e ressurge em forma de balada. A comercializa\u00e7\u00e3o do sexo, uma experi\u00eancia vivida brevemente por Z\u00e9 no Rio de Janeiro em meados dos anos 70, quando batalhava para sobreviver \u00e0 pen\u00faria, resultou nessa can\u00e7\u00e3o, que acabou surpreendendo-o ao ser adotada por muitos gays e homossexuais em geral. J\u00e1 foi gravada por Carmem Costa numa produ\u00e7\u00e3o de Ricardo Cravo Albin, e mais recentemente por Belchior, em vers\u00f5es at\u00e9 mais conhecidas que a do autor. A nova levada foi influenciada pelo som das guitarras em Hotel Calif\u00f3rnia (1976) do grupo The Eagles.<\/p>\n<p>\n<b>T\u00e1xi Lunar<\/b><br \/>\nGeraldo Azevedo &#8211; que participa desta faixa &#8211; fez a m\u00fasica logo depois de chegar ao Rio de Janeiro quando ainda gravava seu primeiro disco. A letra foi dividida entre Z\u00e9 e Alceu. O verso &#8220;Um t\u00e1xi pra esta\u00e7\u00e3o lunar&#8221; surgiu dos fonemas com que Geraldinho sonorizava a can\u00e7\u00e3o ainda sem letra, T\u00e1-cum-tim-tum-t\u00e1-tim-cum-r\u00e1-cum-t\u00ea-r\u00ea-tax-p\u00e1. Z\u00e9 fez o primeiro bloco e o refr\u00e3o, Alceu, os outros 2 blocos. Provavelmente a \u00fanica parceria dos 3, que se encontravam nessa \u00e9poca em casas de amigos e agora est\u00e3o novamente juntos no show e no disco Grande Encontro. \u00c9 uma can\u00e7\u00e3o abstrata, lis\u00e9rgica e faz parte da linha que agrada aos malucos que gostam de viajar com as imagens sugeridas pela letra. Foi gravada por Z\u00e9 no disco Orqu\u00eddea Negra (1983), portanto posteriormente \u00e0 de Geraldo em 1979.<\/p>\n<p><b>Krypt\u00f4nia<\/b><br \/>\nO t\u00edtulo poderia remeter-nos ao Super-Homem, mas a letra se encaixa na \u00e1rea da mitologia grega, presente em sua obra. Sob a influ\u00eancia das hist\u00f3rias em quadrinhos, foi criado um verdadeiro del\u00edrio, um alucinante di\u00e1logo de severa advert\u00eancia entre uma entidade superior e um ser terreno. A alus\u00e3o do cometa se espatifando propicia as sonoridades espaciais que se ouvem no final. A forma de ressaltar propositadamente constru\u00e7\u00f5es proparox\u00edtonas (d\u00e9-ci-mo-sex-to ou d\u00ed-ssi-mu-la-ria ou c\u00e1-la-te-bo-ca) \u00e9 bem um produto da educa\u00e7\u00e3o r\u00edgida e da s\u00f3lida bise gramatical que Z\u00e9 Ramalho p\u00f4de ter na inf\u00e2ncia, quando estudou num col\u00e9gio marista.<\/p>\n<p><b>Frevo Mulher<\/b><br \/>\nO marcante riff na grava\u00e7\u00e3o original de Frevo Mulher, que fechava seu segundo disco, n\u00e3o est\u00e1 presente nesta vers\u00e3o do agalopado, que zoneou nossas r\u00e1dios ao final de 1979. Um novo riff de Robertinho de Recife e o clima de feira marroquina, obtido com o som de urna flauta \u00e1rabe, citara e os talking drums, remetem \u00e0 sonoridade moura, que tanto Z\u00e9 como Alceu Valen\u00e7a conhecem de longa data. Frevo Mulher termina num batuque contagiante. Foi feito para a cantora Amelinha, entre 1978 e 79, que o gravou no seu segundo LP (1979) e nasceu num quarto do hotel Plaza do Rio de Janeiro. Nessa mesma noite, no in\u00edcio do romance entre ambos, Z\u00e9 criou tamb\u00e9m Galope Rasante. O agalopado de compasso bin\u00e1rio \u00e9 produto de urna alquimia de frevo com forro, urna temperan\u00e7a idealizada por Z\u00e9 Ramalho com esses 2 ritmos das festas juninas no Nordeste. Apesar das previs\u00f5es desanimadoras do ent\u00e3o diretor da gravadora de Amelinha, Frevo Mulher come\u00e7ou paulatinamente a ser executada nas academias de gin\u00e1stica do Rio, logo depois pelos Deejays do Dancing Days no morro da Urca e em conseq\u00fc\u00eancia, solicitada por telefone \u00e0s r\u00e1dios. Causou verdadeiro furor, provocando at\u00e9 a r\u00e1pida edi\u00e7\u00e3o de um compacto simples para atender \u00e0 demanda e consagrar Amelinha. Segundo Caetano Veloso, o Carnaval da Bahia tomou novo rumo depois de Frevo Mulher. Seu festivo ritmo alucinante tamb\u00e9m inspirou o produtor deste \u00e1lbum, Robertinho de Recife, em seu Elefante, sucesso de 1981.<\/p>\n<p><b>Banquete dos Signos<\/b><br \/>\nInspirado no t\u00edtulo O banquete dos signos nas pegadas de Z\u00e9 Ramalho, uma cr\u00edtica de Jos\u00e9 N\u00eaumane Pinto para a revista Som Tr\u00eas em outubro de 1979, Z\u00e9 fez rapidamente a m\u00fasica encomendada por Elba Ramalho para seu segundo disco, Capim do Vale. Um sucesso com Elba, um cl\u00e1ssico na obra do autor, trata de lembran\u00e7as puras e juvenis de ambos, no interior da Para\u00edba. Agora recebe um tratamento especial da sanfona de Dominguinhos.<\/p>\n<p><b>For\u00e7a Verde<\/b><br \/>\nFoi a balada de grande repercuss\u00e3o em 1982, com acusa\u00e7\u00e3o de pl\u00e1gio de urna poesia do irland\u00eas William B. Yeats publicada na revista O Incr\u00edvel Hulk. O caso abalou profundamente a carreira de Z\u00e9 Ramalho, gerando um grande trauma e, consequentemente, fortes motivos para fazer parte de sua antologia. De certa forma essa letra preconizou o que iria acontecer com o grupo Blitz e sua liga\u00e7\u00e3o corn a literatura das historias em quadrinhos.<\/p>\n<p><b>Admir\u00e1vel Gado Novo<\/b><br \/>\nNasceu no Rio de Janeiro, na \u00e9poca da rala\u00e7\u00e3o, quando a fome poderia ser considerada uma inesgot\u00e1vel fonte de inspira\u00e7\u00e3o, como de fato ocorreu; esse foi um f\u00e9rtil per\u00edodo de cria\u00e7\u00f5es. As cidades de S\u00e3o Paulo, onde fez sua primeira tentativa de ficar no Sul, e o Rio de Janeiro, onde acabou ficando, lhe deram a id\u00e9ia de fazer despretensiosamente essa can\u00e7\u00e3o, associada ao t\u00edtulo do livro de Aldous Huxley Admir\u00e1vel Mundo Novo. Foi lan\u00e7ada no teatro Tereza Raquel do Rio, no show de lan\u00e7amento de seu primeiro LP, quando s\u00f3 tinha 10 m\u00fasicas para cantar, as do disco e Admir\u00e1vel Gado Novo. A rea\u00e7\u00e3o da plat\u00e9ia \u00e0s primeiras apresenta\u00e7\u00f5es deixou-o assustado e desconfiado que poderia ser um sucesso. Quando o segundo disco veio \u00e0 tona, a vers\u00e3o simplificada de palco, com voz e viol\u00e3o, j\u00e1 era razoavelmente conhecida. O arranjo original, do pr\u00f3prio Z\u00e9 e cordas (de Paulo Machado), destacando o sax-tenor de Nivaldo Ornellas, tornou-se um cl\u00e1ssico na m\u00fasica brasileira, tipo Take the A Train com Duke Ellington. Duke regravou-o em arranjos diferentes e Z\u00e9 tamb\u00e9m o fez. Assim, a deste \u00e1lbum destina-se a uma vers\u00e3o cult, com Dominguinhos fazendo a condu\u00e7\u00e3o, e o coro final no refr\u00e3o Eh, \u00f4h, \u00f4h vida de gado \/ Povo marcado \u00eah \/ Povo feliz, e que levou essa m\u00fasica a puxar as vendas da trilha sonora da novela Rei do Gado.<\/p>\n<p><b>Galope Rasante<\/b><br \/>\nFeita na mesma noite em que foi composto o Frevo Mulher, fez sucesso na grava\u00e7\u00e3o de Amelinha e \u00e9 uma das preferidas de Sivuca e Glorinha Gadelha, tendo especial destaque o verso \u00c9 noite que vai chegar. Z\u00e9 gravou o galope em seu terceiro disco, descrevendo-o como uma celebra\u00e7\u00e3o dos mist\u00e9rios da natureza. Nos desafios de cantadores, o galope \u00e9 um dos v\u00e1rios martelos com versos decass\u00edlabos. A nova introdu\u00e7\u00e3o tem um ponteado de violas (Robetinho e Z\u00e9), seguido da sanfona de Dominguinhos.<\/p>\n<p><b>Bicho de 7 Cabe\u00e7as<\/b><br \/>\nA \u00fanica faixa instrumental do \u00e1lbum \u00e9 essa m\u00fasica tamb\u00e9m gravada sem letra no primeiro disco de Z\u00ea, com o parceiro Geraldo e Arnaldo Brand\u00e3o nos viol\u00f5es, al\u00e9m do ent\u00e3o percussionista Bezerra da Silva. Foi mantido o andamento de samba-choro, que reflete o prazer dos 2 instrumentistas que s\u00e3o originalmente Z\u00e9 e Geraldinho. Contudo, deu-se agora uma atmosfera flamenca. Feita na mesma \u00e9poca de T\u00e1xi Lunar, seu t\u00edtulo inicial era Dezesseis Cordas, a soma das 10 cordas da viola (Z\u00e9) e das 6 do viol\u00e3o (Geraldinho). O novo t\u00edtulo surgiu quando Renato Rocha fez a letra, que seria gravada em 1979 por Geraldo Azevedo.<\/p>\n<p><b>Mulher Nova, Bonita e Carinhosa Faz o Homem Gemer sem Sentir Dor<\/b><br \/>\nCantadores e repentistas da regi\u00e3o Paje\u00fa das Flores em Pernambuco, os 3 irm\u00e3os, Lourival (j\u00e1 falecido), Otacilio e Dimas Batista formam a trindade do Paje\u00fa. Otacilio (S\u00e3o Jos\u00e9 do Egito, 1923), autor de v\u00e1rios cord\u00e9is e livros de poemas, havia gravado sua cantoria na Rozenblit, quando Z\u00e9 prop\u00f4s musicar mais livremente seus versos, o que foi aceito. Foi Amelinha que a gravou em 1982, puxando seu disco, ampliando o sucesso e sendo escolhida como tema do especial Lampi\u00e3o e Maria Bonita, da Rede Globo. Nesta &#8211; grava\u00e7\u00e3o, al\u00e9m de Dominguinhos com uma emocionante introdu\u00e7\u00e3o, destaca-se a participa\u00e7\u00e3o de Roberta Little, filha de Robertinho de Recife. Ao lado de For\u00e7a Verde, representa os marcos que envolveram Z\u00e9 Ramalho em acusa\u00e7\u00f5es de pl\u00e1gio nesses 20 anos. Nada mais existe. Em grande paz, Z\u00e9 revisita as duas m\u00fasicas, realinhadas para as futuras gera\u00e7\u00f5es.<\/p>\n<p><b>Pepitas de Fogo<\/b><br \/>\nUma das faixas do disco For\u00e7a Verde de 1982, foi tamb\u00e9m gravada pelo grupo Flor de Cactus do Rio Grande do Norte. Lembran\u00e7as infantis dos redemoinhos de vento, missas de s\u00e9timo dia, os passeios pela fazenda, conduzidos por Jos\u00e9 Alves Ramalho, seu av\u00f4hai, mostrando-lhe as riquezas minerais, inspiraram Z\u00e9 Ramalho &#8211; Jos\u00e9 Alves Ramalho Neto &#8211; nessa composi\u00e7\u00e3o. Tratada agora com vestimenta latina que inclui tambores das Caribean Steel Bands, procura dar um sabor diferente da original e identificar o continente americano.<\/p>\n<p><b>Jardim das Ac\u00e1cias II<\/b><br \/>\n\u00c9 uma homenagem \u00e0 capital da Para\u00edba, Jo\u00e3o Pessoa. Na cidade das ac\u00e1cias, uma das mais arborizadas do Brasil, onde Z\u00e9 teve sua forma\u00e7\u00e3o musical desde os 14 anos, seus shows s\u00e3o iniciados com essa can\u00e7\u00e3o sem refr\u00e3o, conhecida e cantada pelos paraibanos em coro. A letra se refere a uma pessoa isolada na cidade onde vive, o que combina com habitantes de outras cidades como S\u00e3o Paulo, onde tamb\u00e9m costuma ser cantada pela plat\u00e9ia. A cita\u00e7\u00e3o de A Day in the Life \u00e9 uma homenagem a John Lennon, representando os 4 Beatles e at\u00e9 os Stones, pela sua import\u00e2ncia na forma\u00e7\u00e3o de Z\u00e9 Ramalho.<\/p>\n<p><b>Batendo na Porta do C\u00e9u<\/b><br \/>\nO arremate dessa antologia musical da obra de Z\u00e9 Ramalho \u00e9 sua fiel vers\u00e3o de Knocking on Heaven&#8217;s Door, de Bob Dylan, a quem se sente ligado desde o in\u00edcio de carreira. Assistindo ao show de Alceu Valen\u00e7a Vou danado pra Catende, onde ele tocava viol\u00e3o, Nelson Motta comentou n&#8217;O Globo em agosto de 1975 que &#8220;o trabalho de Z\u00e9 Ramalho \u00e9 um inacredit\u00e1vel blending dos blues arrastados de Bob Dylan com as linguagens de cordel dos cantadores de feira, dos contadores de est\u00f3rias sem nome e sem lugar, dos observadores da vida e das pessoas&#8221;. N\u00e3o \u00e9 a primeira vez que Z\u00e9 demonstra sua admira\u00e7\u00e3o por Bob Dylan. Anteriormente j\u00e1 havia vertido Hurricane, que virou Frevoador, al\u00e9m de ter gravado Mr. Tambourine Man com Renato e Seus Blue Caps, um de seus \u00eddolos na juventude, a ponto de influenci\u00e1-lo ao optar pela carreira de cantor. Nesta vers\u00e3o, ele procura dar a mensagem de arrependimento de quem errou, faz um exame de consci\u00eancia, merecendo, como na B\u00edblia, as benesses do c\u00e9u. Z\u00e9 foi criando essa vers\u00e3o durante as passagens de som dos 15 dias em que o show O Grande Encontro foi apresentado no Canec\u00e3o.<\/p>\n<p><b>Fonte: Site Oficial<\/b><br \/>\n<b><br \/><\/b><b>Site oficial:&nbsp;<a href=\"http:\/\/www.zeramalho.com.br\/\" target=\"_blank\">www.zeramalho.com.br<\/a><\/b><\/p>\n<p>Outros discos do artista j\u00e1 foram publicados aqui no blog (ache eles&nbsp;<b><span style=\"font-size: large\"><a href=\"http:\/\/br320.blogspot.com\/search\/label\/Z%C3%A9%20Ramalho\" target=\"_blank\">AQUI<\/a><\/span><\/b>).<br \/>\n<b><br \/><\/b><b>Pr\u00e9via:<\/b><\/p>\n<div style=\"text-align: center\">\n<iframe loading=\"lazy\" allowfullscreen=\"\" frameborder=\"0\" height=\"315\" src=\"https:\/\/www.youtube.com\/embed\/aDgN35aB5FE\" width=\"560\"><\/iframe><\/div>\n<p>\n<b><span style=\"font-size: large\"><a href=\"https:\/\/cuty.io\/BR320a372\" rel=\"nofollow\" target=\"_blank\">PEGUE A BR!<\/a><\/span><\/b><b>&nbsp;<\/b><br \/>\n<b style=\"font-family: &quot;times new roman&quot;\">Pixeldrain<\/b><\/p>\n<div><b style=\"font-family: &quot;times new roman&quot;\">Senha: br320<\/b><\/p>\n<div><b>0372<\/b><span style=\"font-family: times new roman\"><b><br \/><\/b><\/span><br \/>\n<b style=\"font-family: &quot;times new roman&quot;\"><br \/><\/b><\/div>\n<\/div>\n<div><b style=\"font-family: &quot;times new roman&quot;\"><\/p>\n<div><b><b style=\"font-family: &quot;Times New Roman&quot;\"><b>QUER BAIXAR ESTE DISCO SEM AN\u00daNCIOS E EM FLAC?????<br \/><\/b><b>SAIBA COMO&nbsp;<a href=\"https:\/\/br320.blogspot.com\/p\/clube-de-apoiadores-br320.html\" rel=\"nofollow\" target=\"_blank\">AQUI<\/a><\/b><\/b><\/b><\/div>\n<div class=\"separator\" style=\"clear: both;text-align: center\"><br style=\"font-family: &quot;Times New Roman&quot;;font-weight: 400\" \/><\/div>\n<p><\/b><\/div>\n<div class=\"pvc_clear\"><\/div>\n<p id=\"pvc_stats_3071\" class=\"pvc_stats all  \" data-element-id=\"3071\" style=\"\"><i 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